Templates da Lua

Perfil

Meu perfil

BRASIL, Mulher

"Há um silêncio dentro de mim. E esse silêncio tem sido a fonte de minhas palavras."


Tudo tem que ser bem de leve para eu não me assustar e não assustar os que amo. Pedem-me pouco, pedem-me quase nada. O terrível é que eu tenho muito para dar e tenho que engolir esse muito e ainda por cima dizer com delicadeza : obrigada por receberem de mim um pouquinho de mim.



Histórico

+ veja mais

Votação

Dê uma nota para meu blog

Outros Sites

XML/RSS Feed
O que é isto?

Leia este blog no seu celular

Visitante Número

Créditos

Templates da Lua

18/06/2008

Voltando a aproveitar o tempo...

                                              


E lá estava eu, distraída, remexendo em alguns papéis e finalmente decidida a terminar o texto que havia começado há muito tempo.
E que acabei nem terminando. Mas a verdade é que desta vez, não foi culpa minha.
Havia desligado a música.
Deixei o livro meio lido de lado e fiquei lá, vendo as palavras dançarem e relendo o que tinha escrito, quando de repente não enxerguei mais nada.
Fiquei parada querendo acreditar que aquilo não estava acontecendo.
Droga, só pode ser brincadeira! Justo agora?
Aonde é que se guardavam as velas mesmo?
Não se apavore eu pensei... Procure os fósforos...
E lá me fui.

Tateando no escuro até esbarrar numa cadeira, que por sinal nem devia estar ali.
Fósforos, fósforos... Mentalize os benditos fósforos.
Ufa achei! Boa garota...
E as velas? Aqui não... também não... não...mil vezes nãoo! 
Aiiii, meu dedo!!!
Arrah... até que enfim.. perfeito.
Então acendo a vela e empaco no escuro.
E agora?  Sensação estranha.
Como se o espaço tivesse diminuído e virado uma sombra sufocante.

Olho o relógio e vejo que são 20h00min. Resolvo sentar e pensar em algo.
O que fazer pra passar o tempo, já que estamos tão mal acostumados com a modernidade?
Tamborilo os dedos na mesa enquanto chego à decisão nenhuma.
Sem televisão, nada de computador, nem de música e quem dirá do telefone...
Afinal, o que se fazia antigamente quando não existia nada disso?
Olho na prateleira um filme esperando ser assistido, na cama um livro deixado de lado e me vejo ali, torcendo pra luz voltar logo.
O relógio parecia andar pra trás enquanto eu continuava achando nada pra fazer.
Arrisco espiar lá fora... Saio.

Respiro... fecho os olhos... respiro... Aquele ar.
Há quanto tempo eu não sentia aquele cheiro de mato?
Qual teria sido a última vez que parei pra olhar aquelas estrelas? Não consegui lembrar.
Escuto... fecho os olhos... escuto... Aquele silêncio.
Nada de barulhos, nem de gente gritando, nem de carros correndo.
Só um leve sussurro de vento.
Foi como se o tempo tivesse parado.
Como se nada mais houvesse entre mim, a lua e a cortina de estrelas pendurada lá em cima.

Lembranças de outros invernos vieram com o vento.
Meu pai e um radinho de pilha, minha avó e um lampião na varanda, uma rede e um cobertor bem quentinho.
Chamei de Paz.
Aquele sossego de espírito.
Me senti voltando pra casa depois muito tempo longe.
E foi ali, sentada naquele primeiro degrau de escada que recuperei um pedaço perdido de mim.
Em seguida sorri, porque não haveria tristeza no mundo capaz de apagar o que estava sentindo.


Escrito por Tici às 22h49
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]