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"Há um silêncio dentro de mim. E esse silêncio tem sido a fonte de minhas palavras."


Tudo tem que ser bem de leve para eu não me assustar e não assustar os que amo. Pedem-me pouco, pedem-me quase nada. O terrível é que eu tenho muito para dar e tenho que engolir esse muito e ainda por cima dizer com delicadeza : obrigada por receberem de mim um pouquinho de mim.



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16/08/2008

O fantasma do Umbu


Era mais uma noite fria de inverno.
Um pequeno fogão à lenha tentava amenizar o frio que sentíamos não só devido à baixa temperatura, mas também pelo medo do que viria a seguir.
Meu avô puxou um pequeno mocho de madeira e observou cinco rostos pálidos que o  olhavam silenciosamente. Antes de começar a contar mais uma de suas incríveis histórias, deu uma olhadela na direção de minha avó que inutilmente tentava disfarçar um sorriso.

Nos arredores da casa da minha avó, bem lá no alto, havia uma árvore de Umbu muito antiga. Era uma árvore solitária, de folhas grandes e juncadas, tronco muito grosso que fazia sombra no campo.
Acontece que, durante a Guerra dos Farrapos, os grandes fazendeiros e Donos de Estância abandonavam suas casas e viajavam com os campeiros, tropeiros e soldados aliados, atravessando a Campanha. E em troca de abrigo e proteção contra os imperialistas, eles forneciam aos farrapos mantimentos e ajuda financeira.
Essas tropas, cansadas de dias diretos de cavalgada e trote, sujos, maltrapilhos e esfomeados, sempre escolhiam a proteção de alguma árvore pra fazer um carreteiro de charque, churrasco ou simplesmente pra se abrigar contra as chuvas e contra a geada que castigava durante a noite.

Alertados contra um perigo eminente, um poderoso fazendeiro, temeroso de perder sua riqueza, enche uma moringa de libras esterlinas, além de moedas de prata e enterra junto às raízes cansadas do Umbu. Feito isso, segue adiante, mas deixa pra trás um cavalo baio e um soldado farrapo encarregado de proteger a fortuna com sua própria vida.
Numa daquelas noites houve uma emboscada.  Um grupo de soldados ataca o solitário farrapo. Este, sob juramento de proteger o tesouro, não revela o esconderijo e antes de morrer assassinado e ser dependurado na árvore, lança uma maldição aos aventureiros que ousassem chegar perto daquelas terras.
O cavalo baio, assustado com a luta, tenta se libertar desesperadamente, é atacado, mas mesmo ferido consegue fugir... Sumindo no campo aberto.

Enquanto vasculhavam as redondezas atrás do tesouro enterrado, escutam a voz gutural de alguém gritando, vendo um vulto negro montado num cavalo xucro.
Assombrados, correm para longe no meio da noite e quando olharam pra trás, o cavaleiro continuava parado em frente à árvore. Mais adiante, encontram o cavalo baio morto e tiveram certeza, então, que haviam visto uma aparição.
Outros e outros soldados vieram depois deles e muitos aventureiros tentaram, mas até hoje ninguém encontrou tal tesouro.
A árvore continua lá, sendo a única testemunha viva dessa história brutal. Misteriosamente, nem uma espécie de planta cresce a sua volta.
Em noites frias ainda se pode ouvir o barulho de um cavalo galopando desenfreadamente pelo campo, sem ninguém, no entanto, enxerga absolutamente nada.

Depois disso, me esqueci se o frio que estava sentindo vinha do medo ou se era o efeito das brasas se extinguindo no fogão à lenha. A cozinha de repente se tornou terrivelmente fria e tão pequena como meu coração apertado.
Lá fora, no galpão, os cavalos inquietos não paravam de relinchar.
As estrelas e a lua iluminavam o campo aberto e o capim estava coberto de sereno. Um cenário propício à imaginação de uma criança de nove anos...
Não sei até que ponto a história foi verídica, mas não importa, foi assim que meu avô dizia...


Esse foi um texto que escrevi há algum tempo.
Ele narra uma das tantas histórias que eu ouvia na casa da minha avó...Muita saudade.
Semana passou rápido pra mim, bastante trabalho lá na loja, ando meio cansada ultimamente..
Mas é isso aí... a vida continua..
E o mundo nunca pára de girar... nem por nada, nem por ninguém.

Beijos e até semana que vem... \o/


Escrito por Tici às 20h21
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10/08/2008

Pai...


Pai, pode ser que daqui a algum tempo
Haja tempo pra gente ser mais
Muito mais que dois grandes amigos, pai e filha talvez                                           
Pai, pode ser que daí você sinta, qualquer coisa entre esses vinte ou trinta
Longos anos em busca de paz....
Pai, pode crer, eu tô bem eu vou indo, tô tentando vivendo e pedindo
Com loucura pra você renascer...
Pai, eu não faço questão de ser tudo, só não quero e nao vou ficar muda       
Pra falar de amor pra você             
Pai, senta aqui que o jantar tá na mesa, fala um pouco tua voz tá tão presa
Nos ensine esse jogo da vida, onde a vida só paga pra ver
Pai, me perdoa essa insegurança, é que eu não sou mais aquela criança
Que um dia morrendo de medo, nos teus braços você fez segredo
Nos teus passos você foi mais eu             
Pai, eu cresci e não houve outro jeito, quero só reencostar no teu peito
Pai, você foi meu herói meu bandido, hoje é mais muito mais que um amigo
Nem você nem ninguém tá sozinho, você faz parte desse caminho
Que hoje eu sigo em paz...

...

Nada que eu pense ou fale explicará em palavras o que sinto.
Hoje eu sou só Saudade tua...

Te Amo pra sempre Pai...

Feliz Aniversário e Feliz Dia dos Pais!!! 


Escrito por Tici às 01h31
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